Tuesday, 30 September 2008
Line twenty-one: breaking my own rules
Eu cansei de falar sobre as mesmas coisas. Eu cansei de ficar acordada nas aulas. Eu cansei de pegar ônibus cheio. Eu cansei de não fazer nada de tarde. Eu cansei de esperar a internet melhorar. Eu cansei de jogar os mesmos jogos. Eu cansei de ouvir as mesmas músicas. Eu cansei de ver os mesmos filmes. Eu cansei de sair e voltar tarde. Eu cansei de pedir um cachorro pra minha mãe. Eu cansei de dizer que vou estudar. Eu cansei de pensar que o ano está acabando. Eu cansei de ser menos ignorante. Eu cansei de deixar de usar a minha ironia. Eu cansei de tentar parecer menos egoísta. Eu cansei de fazer a janta. Eu cansei de lavar a louça. Eu cansei de arrumar o armário. Eu cansei de juntar dinheiro. Eu cansei de não trabalhar. Eu cansei de ter dezesseis. Eu cansei de não dirigir. Eu cansei de querer morar no sul. Eu cansei dessa cidade. Eu cansei de todas as cidades. Eu cansei de desejar viver o passado. Eu cansei de tentar encontrar quem eu nem nunca vi. Eu cansei de usar manequim trinta e seis. Eu cansei de dizer que eu estou gorda. Eu cansei de comer besteira. Eu cansei de be right back. Eu cansei de aparar as pontas. Eu cansei de ter festas pra ir. Eu cansei de falar muito alto. Eu cansei de não ouvir quase nada. Eu cansei de ver o que eu não quero. Eu cansei de andar em linha reta. Eu cansei de me cansar.
Tuesday, 23 September 2008
Wordness
As pessoas sempre interessam menos do que as próprias palavras. É preferível o 'escrever', apesar de qualquer coisa em comum com o 'ser'.
As palavras sempre interessaram mais do que as próprias pessoas. É preferível o 'inpensar', apesar de qualquer coisa em comum com o 'estar'.
As palavras sempre interessaram mais do que as próprias pessoas. É preferível o 'inpensar', apesar de qualquer coisa em comum com o 'estar'.
Saturday, 20 September 2008
Oh, baby, baby, it's a wild world
O frio nas manhãs sem chuva me faz perceber o quanto eu gostaria que você estivesse aqui pra comentar essas séries, e quando em vez me parece que a cor dos seus olhos é o único motivo pelo qual eu desejo não ser tão cega sempre. Eu só preciso de um sentimento concreto pra quebrar toda essa rotina que atrapalha o nosso mundo, algo que cause aquele seu impacto e me tire do transe que se mantém intacto até a fase das folhas secas. Essas luzes aprenderam a incendiar esquinas, separar roupas molhadas, discutir a bolsa de valores no café da manhã, enquanto tudo o que nós queríamos era um gole a mais do cigarro que acendeu a noite. Quem dera se nós tivéssemos esquecido ironias pelo caminho, assim seria mais fácil voltar ao quarto que deixamos esquentar. Quem dera se nós tivéssemos, assim seria apenas mais fácil.
Friday, 19 September 2008
Like a small piece of the earth
Eu não me lembro há quanto tempo, mas quando se trata de detalhismo, eu prefiro olhos a pensamentos, quando se trata de egoísmo, eu prefiro olhos a sentimentos. Dizem que tem a ver com a janela da alma, e a verdade é que eu nunca me importei com isso, porque me interessa mais as linhas que parecem fundas do que a persiana entreaberta.
Tem algo especial no castanho claro, porque ele não é tão limpo quando o azul, e nem tão sujo quanto o cor de estante dos meus. Deve ser o meio termo entre o lápis aquerelável e a tinta a óleo, ou algum número ímpar no espectro de cores visíveis, daquelas que você fica olhando por horas até perceber de que tom se trata, e que na pessoa certa, não se sabe se puxa pro amarelo ou pro marrom.
É um caso que não se trata de vários, e sim de todos. Ou de pelo menos um.
Tem algo especial no castanho claro, porque ele não é tão limpo quando o azul, e nem tão sujo quanto o cor de estante dos meus. Deve ser o meio termo entre o lápis aquerelável e a tinta a óleo, ou algum número ímpar no espectro de cores visíveis, daquelas que você fica olhando por horas até perceber de que tom se trata, e que na pessoa certa, não se sabe se puxa pro amarelo ou pro marrom.
É um caso que não se trata de vários, e sim de todos. Ou de pelo menos um.
Sunday, 7 September 2008
False alarm
O que mais eu arriscaria dizer? Apesar de ser incapaz de mentir pra uma pessoa como você, eu ousei dizer que te queria aqui. Só pra ver a sua reação, te fazer achar que eu ainda era dependente de algum pedaço seu que há tempos não me faz sorrir. E você veio, com toda aquela luminosidade de quem acaba de conquistar mais um território no war, se gabando por algo que sequer sabia o que, sentou ao meu lado esperando uma resposta. Eu não ia falar, mas 'já tem gente aí'.
Sunday, 31 August 2008
Get rhythm
Deve haver uma explicação pra isso. Pra quando tomar banho, desenhar seu nome na cortina embaçada pelo frio. Pra se apaixonar por alguém só porque tem o mesmo andar que o seu. Pra gostar de você por gostar do que eu não gosto. Pra escrever seu sorriso na prova de inglês. Tem que haver uma explicação pra isso. Pra querer estar a quarenta e sete centímetros de distância. Pra fechar os olhos e querer abrir só por você.
Sunday, 24 August 2008
The trigger of all things
As coisas só mudam de lugar para que a gente fique se perguntando onde diabos elas estão. As palavras só se desintegram para que a gente fique se lamentando por não poder alcançá-las. Você só me olha nos olhos para me fazer ter a certeza de que não existe outro castanho claro que chegue aos seus pés.
Talvez eu não tenha procurado, não tenha me interessado pelo te querer e foi aí que você resolveu não chegar. Eu não vou jurar pela nossa felicidade que eu nem sei se começou e nem vou dizer que você entendeu tudo errado, porque a verdade é que eu nem cheguei a te ver. Acho que é a tal síndrome do fracasso prévio que funciona como o sinal vermelho, essa sensação de estar com você e não te sentir respirar, o não saber como eu fui parar ali, como você não veio parar aqui. Eu poderia te dar duas mil razões pra passar às sete, mas o laptop está ocupado e a pressa me atrasa. O que tem é essa sua mania de parecer querer controlar tudo, é essa parte da história que me faz gostar mais do 'nós' do que de mim, é essa cena que você faz quando a luz diminui, essa pegada que demonstra ter. Você só. Só você.
Talvez eu não tenha procurado, não tenha me interessado pelo te querer e foi aí que você resolveu não chegar. Eu não vou jurar pela nossa felicidade que eu nem sei se começou e nem vou dizer que você entendeu tudo errado, porque a verdade é que eu nem cheguei a te ver. Acho que é a tal síndrome do fracasso prévio que funciona como o sinal vermelho, essa sensação de estar com você e não te sentir respirar, o não saber como eu fui parar ali, como você não veio parar aqui. Eu poderia te dar duas mil razões pra passar às sete, mas o laptop está ocupado e a pressa me atrasa. O que tem é essa sua mania de parecer querer controlar tudo, é essa parte da história que me faz gostar mais do 'nós' do que de mim, é essa cena que você faz quando a luz diminui, essa pegada que demonstra ter. Você só. Só você.
Saturday, 23 August 2008
Puzzle of scenes
Eu te vi no palco. Gostaria que você soubesse que eu estava lá. Pelo menos pra reconhecer o quanto você atua mal quando tenta ser verdadeiro. Demorou pra finalizar seu espetáculo literal, me fez lembrar das intermináves vezes que você me ensaiou seu texto. Naquele tempo, as luzes eram mais rápidas quando se tratavam de apagar, e você como um bom faroeste, era sempre o primeiro a acender. Tudo parecia mais claro ao focar o foco, e o pensamento se fazia mais limpo quando se insistia desejar. Você tentou matar. Mas só conseguiu acertar a sede de achar que eu voltaria a pensar em você.
Tuesday, 19 August 2008
Big river
Eu tenho que estar. Eu tenho que não confundir. Eu tenho que saber o que não quero pensar. Eu tenho que escrever um folk. Eu tenho que andar na linha. Eu tenho que publicar um livro. Eu tenho que pedir em casamento. Eu tenho que conhecer. Eu tenho que andar na areia da praia. Eu tenho que encontrar a dupla personalidade. Eu tenho que fazer as pazes com a ironia. Eu tenho que continuar não acreditando em ninguém. Eu tenho que ser o mais distante possível. Eu tenho que mostrar como não dar a mínima. Eu tenho que esquecer de ver fotos. Eu tenho que fechar os olhos. Eu tenho que aprender como se aprende. Eu tenho que contar os dias. Eu tenho que esquecer de lembrar. Eu tenho que esquecer de respirar. Eu tenho que ser daltônica. Eu tenho que ver o céu cinza claro. Eu tenho que aprender a letra. Eu tenho que conhecer um novo som. Eu tenho que descobrir como voar. Eu tenho que perceber o odiar. Eu tenho que trocar de nome. Eu tenho que ir pra Londres. Eu tenho que gravar um cd. Eu tenho que trocar de estação. Eu tenho que voltar a não estar na moda. Eu tenho que voltar alguns anos. Eu tenho que parar de parar de fazer tudo o que me faz parar de sentir. Eu tenho que. Eu tenho.
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