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Sunday, 23 October 2011

Two bodies, one heart.

Já havia algum tempo que estavam nisso. Uma vez a cada dois meses. Era só o que eles conseguiam ter. Compromissos, reuniões no trabalho, problemas com a família, viagens inadiáveis. Tudo parecia mais importante. Não era. Toda aquela mudança havia feito com que não fossem mais as mesmas pessoas. Estavam adultos, mesmo sem ser. O relacionamento tinha mudado. E de alguma maneira, o sentimento também estava diferente. Tinha crescido, amadurecido e agora poderia dizer-se responsável por fazer as coisas darem certo.
Eles não tinham tempo. Ela não tinha tempo. Passava o dia obedecendo ordens com as quais não concordava, mas estava ali pra isso e precisava aceitar. Ele continuava lá pra ela, esperando o momento em que o telefone iria tocar e eles teriam apenas quinze minutos para trocarem juras de amor. Não acontecia sempre. As discussões estavam mais frequentes. Pra quem nunca tinha brigado, estavam brigando por anos de namoro. Todo dia, quase o tempo inteiro, por quase tudo. Ela acreditava que era porque não viviam a mesma vida, pois brigavam por coisas externas, que nada tinham a ver com o fato de terem nascido um para o outro. Ele achava que ela não se importava o bastante. Feliz seria o dia em que se descobriria completamente errado.
Três meses já tinham se passado e todos os dias ela se perguntava se iriam sobreviver. Ela sabia que continuaria aguentando, mas da parte dele não tinha tanta certeza. Foram várias as vezes em que ele demonstrou e disse estar cansado daquilo, mas ainda assim suportava tudo como a pessoa forte que era. Três meses já tinham se passado e eles continuavam ali. Uma vez a cada dois meses. Desejando e esperando o dia em que esses meses se tornariam minutos. Segundos. Batidas de um mesmo coração.

Saturday, 26 June 2010

Two points

Hoje eu percebi que não é preciso eu pensar no que escrever pra poder escrever. E eu confesso que eu estou mais do que indignada por só ter percebido isso agora. Quer dizer, eu nunca fui dessas. Eu sempre escrevi o que me vinha à mente, só que ultimamente têm sido tantas as coisas, que eu fico confusa sobre o que colocar pra fora primeiro. Mas aí me veio essa luz de que se eu for esperar as coisas se acalmarem aqui dentro, eu provavelmente vou morrer antes de conseguir que isso aconteça. E é estranho, porque quando eu comecei isso de compartilhar a minha bagunça, eu tinha tanta coisa pra falar. Acho que no fim acabei falando demais. Sempre foi assim.

Wednesday, 28 April 2010

Making plans

Às vezes eu tenho essa sensação de que eu deveria escrever mais. Com a freqüência que eu escrevia antes e as coisas com as quais eu me ocupei agora, tenho quase certeza de que eu poderia tornar a minha cabeça bem mais leve.
Acho que o que aconteceu foi que eu me acomodei, como sempre. Antes eu procurava pelo que escrever e agora só espero que as palavras venham até mim. A verdade é que nunca virão, se for ver pelo lado que elas são tão orgulhosas quanto eu.
Mas agora eu estou propondo uma reconciliação: eu volto a procurá-las e elas voltam a vir. Desse jeito todo mundo fica feliz. Exceto pelo editor de textos, que vai ter que dar uma de psicólogo novamente.

Sunday, 7 March 2010

Life doesn't hurt so badly

Agora de manhã eu finalmente senti a sensação que eu venho procurando há meses. Por um momento, foi como se a minha esquecida tranquilidade aparecesse pra dar um oi e tomasse conta de todo o meu corpo. Eu já nem me lembrava como era sentir isso tudo.
Ultimamente, eu tenho sentido que a minha vida milagrosamente está tomando um rumo, que eu consegui com muito custo traçar uma meta e segui-lá com vontade e sem sair da rota. Talvez tenha sido por causa da minha última de muitas últimas crises de identidade, ou por causa da minha vontade absurda de mudar drasticamente a rotação das coisas. Eu só sei que seja lá o que eu fiz ou pensei, deu certo. Ou está dando, pelo menos. Agora é só rezar pra que eu e Deus queiramos que eu continue assim. Wish me luck.

Monday, 18 January 2010

Sometimes I think I can't stand anymore

Eu posso agüentar dor, fome, calor, doenças terminais, brigas, decepções, impaciência, dúvidas, tempo, a falta dele. Eu posso agüentar quase tudo. A única coisa que eu não posso agüentar é me sentir mal o tempo inteiro. É perder a vontade de levantar da cama, e não querer viver nem o dia seguinte. Isso não.

Friday, 11 September 2009

If it's alright

Acho que chegou aquela hora em que a gente some, dá um tempo da vida, se aposenta da mente. Eu preciso de um tempo que não seja pra mim e nem pra mais ninguém. Só um tempo. Pra eu dizer que tive, que desperdicei, que fiz o que queria ter que fazer. Talvez viver não seja a minha melhor opção. Talvez eu não tenha melhor opção. Que seja. Se é que é.

Wednesday, 26 August 2009

Amy's song

This is the story of a lovely blonde girl. Everywhere she passed, she broke a heart. Mine was already in pieces when she arrived and decided to fix it. It's indescribable the feeling of seeing it beating in her gentle hand, and then of feeling the pleasure in her eyes while she was smiling and smashing it again.

Tuesday, 4 August 2009

The hours

Iniciar aquela conversa não foi tão fácil quanto pensou que seria. Quando se está rodeado de pessoas não importa o quão baixo você fale, sempre parecerá que está gritando para o mundo ouvir. As mãos tremiam, o coração disparava, as palavras se escondiam atrás dos pensamentos apressados, os olhos não tinham um ponto fixo. Tentou rapidamente revisar tudo o que tinha ensaiado durante dias: o tom da voz, as pausas para respirar, a análise de toda a situação. O barulho era extremamente irritante. As pessoas, a música, os carros passando na esquina seriam todos vítimas de culpa se algo naquela noite desse errado.
O sorriso dela parecia cansado, mas ainda assim tinha uma simpatia devido as circunstâncias. Ele se sentia um idiota por não ter a facilidade de expressar sentimentos pessoalmente, afinal, já fazia uma hora que estavam sentados ali. O celular tocou, tinha esquecido a torneira aberta. Se não fosse correndo, encontraria a casa alagada de emoções. Resolveu esquecer o ensaio, a peça de teatro e toda a encenação. Levantou e enquanto procurava as chaves do carro pensou alto acidentalmente.

- Não é uma questão de você viver a sua vida ou não. É uma questão de o que você me diz ser verdade ou não, porque eu acho que não é. Não dá pra amar duas pessoas ao mesmo tempo. E não dá pra precisar de duas pessoas ao mesmo tempo. Não dá. Então, por favor decida-se.

Ouviu-se um silêncio. Não havia ninguém ali. Esfregou os olhos e reconheceu a sala de estar. Olhou no relógio. Estava atrasado. A campainha tocou. Era ela.
Iniciar aquela conversa não foi tão fácil quanto pensou que seria. Quando não se está rodeado de pessoas não importa o quão alto você fale, sempre parecerá que ninguém está tentando ouvir.

Sunday, 2 August 2009

A little more personal

Dear God, give me wisdom to make the best choices, willpower and courage to accept and monitor the changes. Help me to face and overcome my fears and choose the best way for my life. Please, help me to reach my goals and stop with this bullshit I have. Amen.

Wednesday, 17 December 2008

23/01/08

Todas as noites quando fecho os olhos, minha cabeça é invadida por coisas. Úteis e inúteis. Passadas e futuras. Coisas com as quais eu não deveria me importar. Coisas que eu não deveria me permitir imaginar. Mas que insistem em freqüentar meus pensamentos mais impensáveis, apenas pra me lembrar que eu preciso começar a agir.
Eu já ouvi dizer que a mente humana tem um grande poder. Seria muito atrevimento desejar saber se tal poder permanece também em corações covardes? Talvez sim. É claro que não. Que livro eu publicaria se realmente escrevesse o que vejo?
'Estava no sofá, esforçando-se para rabiscar um texto qualquer no pequeno pedaço de guardanapo que encontrou na bancada. Segurava um cigarro. Aquele que tinha acabado de acender. Aquele que implorava pra ser apagado pela mesma mão que o levava até a boca. Ela deveria esquecer o processo, expulsar frases de amor ao invés de uma fumaça que embaça seu raciocínio. Como seria bom uma xícara de café preto, dizem que não há nada mais inspirador. Deve ser por isso que não entende as próprias frases. Ela não fuma. Ela não toma café. Ela apenas...pensa demais.'

Wednesday, 23 July 2008

Something to talk about

Levantou sem fôlego relembrando a apnéia de meses atrás, precisou de mais umas dores de cabeça pra decidir que tinha que parar de tragar aquela fumaça. Não sabia por que ainda pensava no ontem, era um vício que não conseguia largar. Já fazia tempo que não percebia o pontapé inicial, e o motivo pelo qual havia acordado se perdeu no escuro do quarto. A única luz da manhã prendia toda a sua atenção. Esqueceu o que estava pensando, apagou o cigarro, prosseguiu com o sono interrompido.

Tuesday, 15 July 2008

Quiet

Acordou cedo dessa vez. Correu para a praia com a mesma euforia de quando fuma um cigarro após o chá das cinco, parou no pequeno pedaço de terra que a separava do brilho eterno e por um segundo deixou-se atrair por algo que não fosse seu reflexo nos finos grãos de areia. Um olhar que provocou outro olhar, uma sensação que desencadeou outras milhões. O sol nasceu só pra vê-la sorrir e ela retribuiu com um simples aperto de mão.

Monday, 7 July 2008

Between the lines

Ela não tinha que passar por isso, mas teria que crescer em algum momento e decidiu que seria naquele. Mesmo que não entendesse o motivo pelo qual as palavras não podiam ser ditas, ela perdia seu tempo pensando fazer-se ouvir. Passava horas tentando voltar na parte em que tudo fugiu do controle, e via como a falsidade rodeava o que mais importava. Coisas que não eram reais, que não vinham do lado certo. Ninguém se importava, ela sabia disso. Porque o que vale mesmo é todo o exterior, e é fato que os meios justificam os fins. Sentiu-se bem ao afogar as lembranças na pia da cozinha, achava incrível o jeito como tudo pode se tornar tão fácil de uma hora pra outra. Contudo, estava tudo bem. Já era normal jogar as coisas pela janela.

Turn on the 'Fuck You!'

O último pensamento inútil foi dedicado a alguém. E então ela disse. Foda-se. Elas. Cansara de tanto sentimento falso, de tantas coisas forjadas pra no final deixar alguém no chão. Estava feliz, com raiva. De que? De quem? De qual das três?

Sunday, 6 July 2008

The world around us makes me feel so small, Lyla!

Pela primeira vez em muitas, resolveu ouvir a campainha. Eram flores. Sem perfume, sem cartão, as da futura primavera. Tomou mais uma dose de humor, colocou-as no porta-retrato e sentou-se no sofá. Não conhecia ninguém que pudesse visitá-la, apenas a farmácia que talvez entregasse a narcolepsia de meses atrás. Caiu nos braços de Morpheu. Foi a última vez que se ouviu falar em vida na Season, 39. E em cima da mesa, uma única lembrança. Flores. De plástico. Nunca morrem.

Friday, 4 July 2008

Smile and pretend

Her green plastic watering can for her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth that she bought from a rubber man

- Você vai pra onde?
- Pra casa.
- Por qual caminho?
- Pelo da falsidade.

Saturday, 28 June 2008

Stoppin' the loving getting in, pt.3

Finalmente tomou coragem e resolveu olhar pra trás. Ele sabia que era a última chance de dizer que só estava fazendo aquilo por ela. Ela já tinha virado a esquina, se perdido na multidão, mas ele sabia aonde ir. A única coisa que o coração dele conseguia gritar era o nome dela. E a única coisa que o dela não podia ouvir era a voz dele. De todos os lugares do mundo, só havia um em que ela poderia estar, e foi exatamente lá que ele a encontrou.


- Eu preciso te dizer uma coisa...

- Eu já sei.

- Como?

- Você já me disse.

- Quando?

- Agora.


Não vos interessa de que forma, mas de alguma forma eles sabiam o que tinham que saber. E ficaram lá, apenas se olhando, dizendo em silêncio tudo aquilo que precisavam dizer.


- O meu coração...

- O que tem?

- Ele é seu, sempre foi e sempre será.


Ela tirou do bolso um pedaço de folha qualquer e rabiscou alguma coisa.


- ♥

- O que é isso?

- É tudo o que eu tenho pra lhe oferecer.


E depois acrescentou algo.


- it beats for only you.


Ele leu, releu e finalmente sorriu. Ela não estava mais ali. A última imagem que ele conseguiu guardar foi a dela sumindo no meio dos carros. Ele não foi atrás, não quis ir atrás. Pois sabia que de alguma maneira ela iria voltar, nem que fosse pra buscar o amor de verão que ele acabara de guardar no bolso esquerdo do casaco azul marinho que ela vestiria após o café.

Thursday, 26 June 2008

Stoppin' the loving getting in, pt.2

Mesmo após ter jurado pela própria felicidade ao lado dela que não voltaria a tocar naquele assunto, ele era incapaz de se convencer que nunca mais estaria com ela. Ele só queria uma razão, um único motivo pra tudo ter mudado da água pro vinho.

- O que houve?
- Não sei. O que você fez?
- O que eu não fiz?
- Tudo.

Ele queria que ela explicasse. Ela queria querer explicar. E tudo acontecia assim, palavras que não foram ditas, momentos que não foram vividos, tudo jogado ao vento pra algum outro conto de fadas encontrar. Ele precisava fazê-la encarar a incerteza, era o mínimo que podia tentar.

- Por que estamos monologando?
- Não estamos. Você está. Sempre esteve.
- Você me disse pra não acreditar nessa maldita esperança. Eu só queria saber que estava tudo bem.
- Mesmo sabendo que nunca estaria...
- O que eu podia fazer? Dar tempo ao tempo?
- De que adiantaria? Depois de um tempo tudo perde a graça.
- É nisso que você acredita?
- É nisso que eu não acreditava até esse tempo existir.

Foi a conversa mais longa que já tiveram. E o diálogo menos explicativo que já aconteceu. Em momento nenhum ele desviou seus olhos do dela, e em momento algum ela teve coragem de encarar os dele.

Tuesday, 24 June 2008

Stoppin' the loving getting in, pt1

Ela guardou seus maiores segredos e se escondeu de todos os planos que ele tinha pra uma idéia melhor. Foi de propósito, claro. Ele deveria ter percebido que ela não era tão amigável assim.
Depois de idas e vindas, numa tarde de sol sentados à beira do lago, ele então viu que já não havia nada em comum.

- Suas mãos estão tão frias.
- É o tempo.
- Não. Sou eu.
- Talvez seja.

E mesmo apaixonado, ele não ouvia seu coração. E mesmo abraçados, o dela não batia no mesmo ritmo que o dele.
Era inacreditável que algo tão incrível pudesse se desfazer em menos de meio mês. Era inaceitável que ela pudesse deixar de amá-lo em menos de 14 dias.
Ele pensou ter ouvido um último suspiro, uma luz no fim do túnel que apenas por um momento pareceu se aproximar, e então desperdiçou sua última chance.

- Nós deveríamos tentar...
- Quantas vezes mais?
- Quantas forem necessárias.
- Então perderemos mais do que tempo com isso, você sabe que não podemos mudar o que já está feito.

E ela mais uma vez mentia pra ele. E admita isso com toda a culpa que um egoísta poderia ter. Virou as costas, já era tarde. Já estava apaixonada por outro.

Sunday, 22 June 2008

And help me forget your name

Can you take this silence like a pill so I can breathe again?
I've been trying to ignore the best parts of you. I'm still hoping that I'll be with you somehow.
Please be home tonight. I'll die if I don't get a chance to make this just right. I'm sorry but I can't forget about the way I feel every time you're here

- O que você quer?
- Eu quero você.
- Mas isso você já tem.
- Então eu não preciso de mais nada.